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Zé, um cabra macho, (homem
valente), cabeça chata (cabeça angulosa, típico de cearense), batoré,
(baixinho), um cambito, (perna fina) presepeiro (espalhafatoso) devoto do padim
(padrinho) Padre Cícero, e sozinho.
Nascido no sertão brabo, onde a terra é esturricada
de tão seca porque ali nunca ou quase nunca chove. De verão a verão por lá não
tem estação, nem mesmo a de trem tem lá... È sol a pique de rachar.
Zé mora num barraco de pau a pique, (barro e talos
de madeira) com telhado de palha de carnaubeira, um chão de barro batido, pra
não causar muita poeira, paredes de fora caiadas de amarelo queimado (cor
laranja). Como mobília tem Zé; no canto da sala, um pote de barro pra esfriar a
água de beber barrenta, um banquinho feito do tronco da carnaubeira porque dela
se aproveita tudo, até a cera. Um fogão de barro à lenha, uma panela, uma
caneca de alumínio reluzentes, luzidos com areia, um pratinho de ágata e uma
colher de pau, pendurados na parede: uma rede de dormir pendente no armador e
um lampião a querosene. È esse o patrimônio do Zé.
O dia do Zé começa cedinho, com o canto distante de
um galo que lhe desperta ao alvorecer. Veste sua roupa desbotada do sol, calça
suas surradas alpercatas (sandálias de couro), na cabeça, seu chapéu de palha.
Lá vai o avexado (apressado) Zé, ao açude mais
próximo, umas tantas léguas, buscar sua água meio barrenta em sua lata de
zinco, por uma estrada morta de chão encarnado (vermelho). Logo volta Zé ao seu
barraco e prepara sua boia, uma gororoba (comida de má qualidade) feijão meio
encruado, temperado com pimenta malagueta, farinha e alfenim (tipo de
rapadura).
Zé vai a luta não fica de flozô (atoa, sem fazer
nada), vai ao seu pequeno roçado, capinar a terra seca. Na esperança de uma chuvinha,
mandada por São Pedro, pra fazer seu alimento brotar, isso seria pau d´égua
(legal). Enquanto labuta ao sol, certamente sonha com um pão sovado (de massa
fina) e uma panelada (prato feito de tripa e bucho de boi).
Ao fim da tarde meio baqueado (fraco, triste), toma
Zé o rumo de casa, ainda vai à baixa da égua nas brenhas, (lugar distante,
difícil acesso), pegar uns gravetos de lenha seca, pra seu fogo atiçar. Já
quase noite volta Zé de sua labuta, meio ingembrado (torto) cansado em sua
inhaca (mau cheiro de sovaco), com seus gravetos de lenha no ombro. Na cabeça,
um pensamento da melhor hora do dia, o seu lazer, uma dose de cachaça só pra
ajudar a dormir, porque cu de cana (cachaceiro) ele não é.
Seu sonho atrelado à desesperança de um dia talvez,
ter um futuro um cadim (pouco) melhor.
Cabra invocado (corajoso) esse Zé!
Lufague.
(Homenagem
ao nordestino, cearense, sertanejo e seu linguajar).